3 Passos para desenvolver a sua Inteligência Emocional
Inteligência Emocional, pode ser definida como a “Capacidade de lidar com as nossas emoções e com as emoções dos outros”. Hoje temos evidências claras que somos seres emocionais e que, consciente ou inconscientemente, as emoções estão na base das nossas decisões, afetam a forma como interpretamos o mundo, os nossos comportamentos, os nossos relacionamentos, a nossa aprendizagem, o nosso sucesso… enfim, a nossa vida.
Estudos demonstram que o impacto da inteligência no sucesso do adulto é muito superior ao impacto que o seu nível de QI e as suas competências podem ter. Também sabemos algo maravilhoso, a Inteligência Emocional é uma competência e, como competência, pode ser estimulada e desenvolvida.
De acordo com Daniel Goleman, a Inteligência Emocional assenta em cinco pilares:
- Autoconhecimento, conhecer as próprias emoções (reconhecer e nomear);
- Autocontrolo, controlar e redirecionar impulsos e emoções, antes de agir;
- Automotivação, ativar motores internos (motivos para fazer o que se faz ou querer o que se quer);
- Empatia, capacidade de me colocar nos sapatos dos outros, ver pelas lentes dos outros;
- Relacionamento interpessoal, capacidade de interagir assertiva e empaticamente com os outros.
Como podemos desenvolver a nossa Inteligência Emocional?
Partilho uma ferramenta em três passos: PSA – Pensar, sentir e agir.
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Todos os nossos comportamentos têm origem num pensamento, (o qual está relacionado com as nossas convicções e valores). Na maior parte das vezes estes pensamentos são automáticos. Ou seja, ocorre um determinado acontecimento (alguém nos diz algo que não gostamos, vemos algo que não aceitamos ou nos incomoda…) e imediatamente formamos um conjunto de pensamentos, que dão origem a um conjunto de emoções, que, por sua vez, condicionam as nossas ações, os nossos comportamentos e os nossos resultados (aquilo que gostávamos que acontecesse, ou a forma como gostávamos de “Ser”, “sentir” e “agir”).
(Uma nota muito especial: é por isso que o comportamento da criança é apenas a forma que ela encontra, naquele momento, para expressar todo este processo inconsciente… sendo que, enquanto nós, adultos, temos mais consciência do que é socialmente aceite e nos controlamos para não agredir ou insultar outros… a criança não tem estes filtros bem ativos e age de modo impulsivo e instintivo, gerando um resultado que nós, adultos, chamamos de “mau comportamento”)
Isto acontece tudo muito rápido, na maior parte das vezes sem termos consciência do processo. Mas, como gosto de lembrar, só podemos mudar o que observamos… então, vamos passar a observar mais!
Como assim?
Se nos tornarmos conscientes deste ciclo, nas várias situações das nossas vidas, vamos conseguir trabalhar de forma muito produtiva os dois primeiros pilares da inteligência emocional: autoconhecimento e autocontrolo.
Ora vejamos, imagine uma situação do seu dia-a-dia (de preferência uma situação recorrente) que, quando acontece faz com que aja de modo incoerente com o que defende, que aja de modo agressivo ou desrespeitoso, na verdade, que ative um comportamento que não deseja ter, que deseja mudar. (por exemplo, sempre que o seu filho o interrompe, tende a gritar com ele, mas gostaria de ter um comportamento mais calmo, mais assertivo e respeitador)
Agora, pense comigo.
Quando essa situação surge, qual é (ou quais são) os pensamentos que lhe ocorrem? Alguma frase? Algum som? Alguma palavra? Alguma imagem?
(Tome consciência do que pensa (diz a si mesmo) quando isto ocorre.)
Anotou? – Ótimo.
Continuemos…
O que sentiu? Como se chama essa emoção ou sentimento? Que necessidade esconde? Algum valor que não sente estar a ser respeitado? Em que parte do seu corpo sentiu essa emoção? É fixa nesse local ou desloca-se? O que é que isto lhe diz sobre si mesmo?
E agora…
Que comportamento teve? O que fez? O que disse? Como posicionou o seu corpo?
Estou certa que surgiram alguns insights!
Então, o que estivemos a fazer?
A tomar consciência de como pensa, sente e age nessa situação que deseja mudar. Na verdade, esteve a trabalhar o seu autoconhecimento.
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Agora, é o momento de passar à fase seguinte: Como é que gostava que fosse? Que resultados quer ter quando esta situação se repetir?
O que quer pensar? O que quer sentir? E como quer agir?
Ao encontrar respostas para cada uma destas questões está a desenvolver e a ativar o seu processo de autocontrolo, segundo pilar da inteligência emocional.
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Esta ferramenta é tão poderosa que a podemos utilizar para situações simples e situações mais complexas. Além disso, à medida que a utilizamos a sua aplicação torna-se cada vez mais automática e eficiente.
Também a podemos utilizar com crianças. A partir do primeiro ciclo, 6 anos, esta ferramenta é perfeitamente possível de aplicar a qualquer criança. Antes depende da maturidade da criança, mas posso assegurar que com 4 anos já há resultados bem evidentes em trabalhar com eles esta tomada de consciência. Seja como for, lembre-se que a melhor forma de ensinarmos as crianças é sermos modelos. Ao observarem como reconhecemos e gerimos as nossas emoções eles vão integrar esse conhecimento de forma natural e consistente.
Lembre-se, o desenvolvimento de competências socio emocionais assenta na capacidade de observação, que podemos adotar como um comportamento consciente; que, como todos os comportamentos que repetimos e treinamos, se transforma num hábito.
Elizabete Neves, Mindset Changer
