Um vírus chamado Medo

Por estes dias li, em algum lugar, que só há uma coisa que se alastra com maior rapidez que o covid19, o medo. Fez-me pensar e fez-me agir. Fez-me querer partilhar convosco algumas ideias sobre esta emoção que se propaga, que é útil, mas que importa gerir..

O medo é uma emoção primária, uma emoção com um papel preponderante nos registos de sobrevivência da humanidade. O medo é um grande aliado, porque nos coloca em alerta face a eventuais perigos, colocando todo o nosso corpo atento e pronto para se proteger. No livro #onovelodeemoções explico isso às crianças dizendo-lhes que, quando o medo surge, é como se o nosso cérebro gritasse:  “Alerta, segurança, alerta. Presta atenção à tua volta e vê se há algo que pode, realmente, fazer-te mal.”. Acredito que a mensagem é clara. É preciso observar, ganhar consciência, ser critico do medo. É preciso ir à procura dos reais motivos do medo, das necessidades escondidas por detrás dele e das suas intenções positivas. Sim, há sempre intenções positivas.

O medo surge quando estamos perante algo que é desconhecido e que, de algum modo, o nosso cérebro entende como uma ameaça. O medo coloca-nos em modo de sobrevivência primitiva, coloca-nos em modo de fuga, ataque e de paralisia. O medo impede-nos de utilizar o nosso pensamento construtivo, impede-nos de ver oportunidades, impede-nos de encontrar soluções. O medo fragiliza-nos, utiliza a nossa energia vital para se alimentar, cansa-nos, stressa-nos e, com tudo isto, enfraquece o nosso sistema imunitário.

Todos sabemos que o contexto atual é de alerta. Mas, também sabemos que o resultado final depende das decisões, das escolhas e dos comportamentos que adotarmos, hoje.

Hoje, é tempo de sentir medo e, mesmo assim, escolher cuidar do nosso “espaço interior”. É tempo de sentir medo e utilizá-lo para cultivar a autoconsciência, para treinarmos a flexibilidade, para nos adaptarmos às circunstâncias, de modo a ajustar pensamentos, sentimentos e ações e seguir em frente.

Hoje, é tempo de sentir medo e, mesmo assim, ser otimista. E atenção que ser otimista não é negar os acontecimentos, é acreditar em soluções, é ter esperança em nós próprios e nos outros, é escolher ler um livro em vez de ver as notícias o dia todo. É escolher ver as circunstâncias como uma oportunidade para fazer aquela coisa que andamos a adiar há anos. É aproveitar para ligar a amigos, escrever, desenhar ou simplesmente descansar. É acordar sem pressa e vir à janela inspirar ar puro, olhar as nuvens, apreciar o canto das aves.

E já me alonguei…

Por favor, lembrem-se, as emoções não são boas nem más. As emoções são normais e transmitem-nos uma mensagem. As emoções surgem de modo instantâneo como consequência de um estímulo interno ou externo. Na verdade, pouco ou nada podemos fazer para as evitar… mas, cabe a cada um de nós, decidir qual o comportamento a adotar, depois delas surgirem. Cultivar o otimismo e a esperança é uma escolha, que ainda por cima favorece e reforça o sistema imunitário.

Eu escolho ver com olhos de criança e Ser Esperança!

Elizabete Neves

Um vírus chamado medo

Share This Post!