Emoções – Uma janela de oportunidade

Imagina que te sentes triste, desanimada(o) e desprovida(o)de capacidade para agir.

À tua volta as pessoas dizem: “Oh, isso não é nada”, “Isso já passa”, “Estás assim porquê?… Isso não te leva a lado nenhum”…

Imagina que alguém te diz algo que te faz sentir desrespeitada(o) e que partilhas essa tua inquietação com uma terceira pessoa, em quem confias, e ela te diz: “Oh! Lá estás tu com essas coisas. És sensível de mais… Deixa isso para lá. Se te ofendes com isso nem sei como consegues viver neste mundo.”…

Imagina que estás tão irritada(o) que começas a chorar, junto da tua melhor amiga(o) e que ela(e) te diz: “Vá, acalma-te! Pára lá de chorar! A sério, estás a chorar para quê? Não vais resolver nada assim, acalma-te!”…

Agora diz-me, para cada uma das situações, qual foi o sentimento que tiveste para com cada uma das pessoas que estava ao teu lado?

Que pensamentos te ocorreram?

Tiveste vontade de fazer o quê?

Depois de escutar  a outra pessoa, sentiste-te mais ou menos capacitada(o) para ultrapassar a situação?

aprender com as emoções

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Quando os nossos estados emocionais são ignorados, ridicularizados, minimizados, isso torna-nos menos capazes de assumir o controlo da situação, de integrar as emoções e tomar decisões mais acertadas. Limita a nossa capacidade criativa e desperta diálogos internos baseados na crítica, na impotência, na revolta, na não aceitação e na desadequação.

Agora imagina que és uma criança ou adolescente.

Imagina que estás a sentir uma emoção forte tomar conta de ti e que procuras o apoio de um adulto, por acreditares que podes confiar nele e que ele te vai ajudar… e esse adulto desconsidera o teu estado emocional… Como imaginas que te vais sentir? O que vais pensar desse adulto? Da próxima vez que precisares de ajuda para resolver alguma situação, em que estejas com dificuldade, vais recorrer a esse adulto? E se forem vários adultos, nos diferentes contextos em que te inseres (enquanto criança) a fazerem isso, recorrentemente, o que vais pensar dos adultos em geral, das pessoas, da sociedade? O que terias vontade de fazer? Que alternativas irias procurar da próxima vez que te sentisses impotente ou confuso?

Pois é… sempre que ignoramos ou procuramos abafar o estado emocional de alguém, sobretudo uma criança ou um adolescente estamos a desperdiçar uma excelente oportunidade de aprendizagem para a criança e adolescente. Estas situações são, verdadeiras e importantes, janelas de oportunidade para ensinar a reconhecer emoções, a trabalhar a autorregulação e a empatia, a confiança em si e nos outros. Quando agimos de modo inconsciente estamos “dizer-lhes” que o que sentem não é válido, não é importante. Que devem esconder as suas emoções ou que serão rotulados. Que os adultos os julgam e não os compreendem. Que não são importantes o suficiente para que alguém os escute. Que os adultos não estão disponíveis para os ajudar. Levamo-los a duvidar dos seus próprios sentimentos e capacidades para ultrapassar desafios.

Ainda que a criança ou adolescente possa estar a ter uma perspetiva incorreta da situação ou ainda que o que ela quer não seja adequado ou válido, escutar e acolher os seus sentimentos são as melhores e mais potenciadoras das atitudes. A adoção desta atitude por parte do adulto vai dar-lhes o “espaço” que precisam para se acalmarem e ativarem a sua capacidade interna de autorregulação. Uma criança e um adolescente que se sentem escutados e acolhidos sem julgamento, sentem-se seguros e dispostos a mudar de estado emocional. Ganham mais rapidamente controlo sobre a situação e aprendem a confiar e si mesmos e nos outros. Aprendem a sentir, a expressar-se e a comunicar assertivamente. Aprendem a considerar as suas emoções, a identificá-las e a geri-las. Sentem-se respeitados e dispostos a respeitar.

Lembras-te da situação do início do texto em que o tua amiga(o) te manda ter calma e parar de chorar?! Imagina o bom que teria sido se ela(e) simplesmente se tivesse sentado ao teu lado e, empaticamente e sem julgamento, te tivesse escutado até ao fim!

E agora?!

Da próxima vez que uma criança ou adolescente te procurar, numa situação de desequilíbrio emocional, que atitude vais escolher ter?

Lembra-te: escutar e acolher, com aceitação plena das emoções e dos sentimentos da criança ou do adolescente. Depois ajuda-os a identificar a emoção. Através de perguntas abertas ajuda-os a compreender a causa, a reenquadrar a situação e a explorar soluções e alternativas.

Aproveita a janela de oportunidade e marca a diferença na vida de cada criança e de cada adolescente que se cruza no teu caminho!

#mindsetchanger

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